domingo, 30 de abril de 2017

PRAÇA DA MATRIZ DE TAIOBEIRAS MG






















A Praça da Matriz é a principal praça da cidade de Taiobeiras a qual tenho uma relação afetiva muito grande, Quando criança passava horas e horas brincando em seus jardins e admirando a torre da igreja que eu julgava ser a coisa mais alta que podia existir no mundo!
Em minha adolescência costumava sentar nos bancos da praça com os meus amigos para ficar‘‘jogando conversa fora” e às vezes cantando e tocando violão. Hoje quando passo pela praça fico lembrando dos momentos maravilhosos que passei ali, é um dos locais que mais amo em minha querida cidade.                                                       
Em meados dos anos quarenta era apenas um terreno baldio onde se erguia uma igreja.


















Com o passar do tempo, a igreja foi finalizada e para que o local ficasse mais agradável foi projetada a praça da matriz. Árvores de várias espécies foram sendo plantadas, dando destaque às majestosas palmeiras imperiais. Em seus arredores, ruas foram ganhando formas e mais casas foram construídas.



















Houve algumas mudanças recentes em seu paisagismo, algumas plantas ornamentais foram retiradas por conter espinhos que representavam perigo para as pessoas que passavam por ali e alguns bancos de concreto foram substituídos por bancos de madeira.


                                                                                                               
















A igreja matriz que é o motivo pelo qual a praça ter recebido esse nome, também foi reformada, no entanto foi mantida a sua arquitetura original. O coreto que ficava ao lado da igreja foi demolido, mas a estátua de bronze construída em homenagem a um dos primeiros párocos de Taiobeiras, Frei Jucundiano de Kok que está naquele local deste maio de 1981 foi mantida, apenas colocaram grades ao seu redor.
  



Também foram construídos estacionamentos, pois a praça se localiza no centro da cidade e tem como vizinho o prédio da prefeitura e vários pontos comerciais, além de algumas poucas residências que resistiram ao tempo.

Todos os anos no mês de maio acontece um festa cultural na cidade titulada por Festa de Maio, e isso provoca algumas mudanças temporárias na praça. Em seus arredores são construídas barracas e palcos para shows musicais.



















No centro da praça se constrói casas de alvenaria para representar a parte cultural e folclórica, relembrando os tempos passados quando a cidade era apenas um pequeno povoado com o nome de Bom Jardim das Taiobeiras. Essa mudança permanece até o mês de junho onde se comemora as festas juninas que se culmina com entrega de bandeira e folia de reis.




















Depois que as festas terminam tudo volta como era antes, o povoado Bom Jardim das Taiobeiras é desconstruído e a Praça Matriz continua linda, pacata e admirável.

No mês de dezembro ela volta a se movimentar com a chegada no Natal e acontecem mudanças novamente no seu espaço físico, iluminação especial e adereços natalinos são colocados e a praça ganha um encanto especial com a magia do Natal e volta a ser bastante visitada e admirada.





Finalizo meu trabalho com um poema maravilhoso da professora de língua portuguesa Nair Marques Freitas, que foi uma das minhas excelentes professoras de Língua Portuguesa nos Ensinos Fundamental e Médio, a quem tenho uma profunda admiração.


Igreja de São Sebastião de Taiobeiras


* Nair Marques Freitas

Antigamente,
Lá pelos meados de 1900,

São Sebastião atendia aos seus devotos

Na praça Joaquim Teixeira.

Sua morada era pequenina

E em torno dela repousavam

Corpos e almas pelo além chamados

Do Bom Jardim das Taiobeiras.
Para contrastar com tanta
Humildade e singeleza
Erguia-se ali, em frente à igrejinha,
Um majestoso e robusto cruzeiro...
Nas madrugadas frias e desertas,
As almas levantavam-se das catacumbas
E ajoelhavam-se soturnas e fervorosas ao pé dele:
Imploravam misericórdia e desvelo.



Mas na maior parte do tempo

Reinavam os vivos que por ali se iam:

Os padres, ora Horácio de Rio Pardo,

Ora Salustiano de Salinas.

Missões, missas, casamentos, batizados, rosários...

E a famosa festa do santo,


Sempre no mês de janeiro?
Eram nove dias de reza,

Nove dias de leilão,

Nove dias de churrasco, cada dia,

Na casa de um novenário.



Vai que dona Rachel Torres,

Recém-chegada de Rio Pardo,

A igreja muito pequena achou.

Pois não. Um pedaço na frente aumentou,

Dando-lhe o formato que até hoje ficou.



Por volta de 1938,

A igreja a paróquia passou.

Veio então frei Acário,

Bondoso como ele só!

Coração de mãe,

Alma de passarinho,
Franciscano convicto.

Logo que chegou, percebeu

Que hereges ao pé do cruzeiro

Começaram a se sentar

Pra, na calada da noite,

Suas tramoias combinarem.

Ficou furioso e mandou
O cruzeiro dali tirarem,
Que levassem-no pra bem longe,
Onde ninguém pudesse
O símbolo do Cristianismo
Com seus atos profanar.



Um dia disse o bom frei:

— A igreja está pequetita,

A freguesia crescida...

Vamos outra mais bela,

Na rua Grande*,

Com habilidade levantar?!



Assim que acabou o alicerce,

O bom frei foi transferido,

E dizem as más línguas, não sei,

Que o motivo foi que ele

Dava todo o dinheiro da igreja

Para os pobres desvalidos.




Mil, novecentos e quarenta,
Frei Juca chegou então,

Com uma febre intermitente...

Era maleita,

Ou era somente garra

Por um trabalho diferente?!



Assim que baixou a febre,

Começou a revolução,

Arrancou o alicerce novo,

Querendo o povo ou não,

Levou-o para o outro lado*

Recomeçou a construção.



Pegava picareta,

Ajudava com suas mãos,

Jogava tijolo pro alto,

Com bravura cavava o chão.



Cimento era coisa rara,

Areia e cal tava bom,

Dinheiro, mesmo difícil,

Todo filho de Deus doou.

E frei Juca, com jeitinho,

Foi criando artifícios:


“Padrinhos do Sino”
Que deram o sino;
“Afilhados de Nossa Senhora”
Que doaram sua imagem,
Mas tantos outros, sem nenhum ajeito,
Foram se dando, sim senhor:
Davam o seu parco salário

Ou seu valoroso labor;

Purcino Cardoso, por exemplo,

Deu todo o telhado

Sustentado por aroeira,

Revelando assim seu amor.



A construção foi bem lenta,

Pois com férias de dois em dois anos,

Por duas vezes frei Juca

À Holanda foi passear,

Gozando seis meses de cada vez

Antes da obra acabar.
Da primeira vez em que foi,
Assim que retornou...
Era chuva,

Mas tanta chuva na terra,
Que o alicerce arriou.
— Qual nada! — disse ele -
E a emenda efetuou.

Ficando pronta a jovem igreja,
Diversas lápides dos sepulcros

Do cemitério da igreja-mãe

Para a nova, com cuidado,

Conseguiram transportar.

Estão lá, debaixo do piso,

Bem na frente do altar.



E frei Juca, para registrar,

No alicerce deixou enterrada

Uma garrafa contendo moedas,

cédulas e informações da época.

Mais tarde, também lá,

Exigiu que construíssem
A sua eterna morada.




Em 1975 frei Salésio chegou
Também franciscano,

Também holandês,

Também conservador,

Mas a igreja reformou:

Um busto do frei Juca se exibiu na praça,

Holofotes se acenderam no chão,

Um coreto ecoou seu silêncio...
A modernidade com o velho se misturou.
O sino tocou tristemente,
Frei Salésio se foi...
Também lá pediu pousada
Pros seus restos, pra sua ossada.



Outros padres vieram:

Jovens, anciãos, meia-idade,

Franciscanos e não-franciscanos;

Outras ovelhas vieram:

Crianças, jovens, idosos, meia idade,

Fiéis e não-fieis,
Calorosos e não-calorosos.




Janeiro de 2009,

Festa de São Sebastião,

Padre Fernandes levantava

Uma complexa questão:

- Que tal, agora,

A velha igreja ampliar,

Já que ela não comporta
Tantos cristãos a rezar?
E a discussão se acirrou
Por tudo quanto foi lugar...
Gente a favor,
Gente contra,

Todos queriam opinar.
A maioria não aceitava
Ver a igreja querida
Ser mudada, demolida,
Não dava pra conformar.
E graças a Deus, a seguir,
Padre e povo conseguiram
Um pleno acordo atar

Padre Antônio chegou, então,
Para a reforma prevista
Ser o coordenador.
E com a sociedade atuante,
O projeto foi avante,
Ficou pronto, sim senhor!


E o monumento permaneceu,

Antigo, é verdade,

Mas lúcido o suficiente

Para contar histórias a toda a cidade,

Confrontando o presente e o passado,

O velho e o novo,
Garantindo a identidade,
A fé e a religiosidade
De seu humilde povo.



E adiante,

O que virá?

Quem viver, verá!



OBS.:  Rua Grande: Avenida da Liberdade. Outro lado: Praça da Matriz.



* Nair Marques Freitas é Professora de Língua Portuguesa e reside na cidade de Montes Claros/MG.




Referências:

CALLAI, Copetti, Helena. Aprendendo a ler o mundo: A geografia nos anos iniciais de ensino fundamental. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v25n66/a06v2566.pdf> Acessado em 27/04/2017 

MIRANDA, Avai.Taiobeiras: seus fatos históricos. Volume II.Thesaurus. Brasília 1997

 Prefeitura Municipal de Taiobeiras. Disponível em< http://www.taiobeiras.mg.gov.br/> Acessado em 25/04/2017







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